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EMEF Desembargador Amorim Lima

Bacia
Pinheiros-Pirapora
Cidade
São Paulo/SP
Corpo d´Água Monitorado
Riacho Doce
Ponto Monitorado
Favela São Remo -23.555223997871,-46.748869206713
Tipo
Escola
Faixa Etária
Jovens

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Sobre o Grupo

Escola une favela e batalhão da PM Monitoria de córrego periférico à favela São Remo inspira criação de oficina para moradores e policiais visando recuperação de terreno da PM, além de ampliar alternativas de renda e incluir plantio de mudas e pesquisa da memória do bairro por alunos da Escola Municipal Há oito anos, a Escola Municipal de Ensino Fundamental Desembargador Amorim Lima, no bairro do Butantã (SP), é palco de atividades que enfatizam a inter-relação entre o ser humano e os elementos naturais, como forma de tornar os alunos aptos a atuarem na realidade socioambiental. Em oficinas semanais de educação ambiental, por exemplo, os jovens elegem um tema de interesse coletivo para colocar em prática projetos integrados às disciplinas formais. Foi assim com o tema reciclagem em 2004, que além da discussão sobre resíduos sólidos, poluição urbana e desperdício de matérias-primas, envolveu a construção de matérias para o jornal da escola, um gibi e uma gincana sobre o lixo. Embora já se pratique a separação do lixo na escola - vendido a um ferro velho vizinho – e o espaço do jardim abrigue uma grande horta para o aprendizado concreto sobre o cultivo de espécies vegetais, foi na aproximação com as comunidades do entorno que os alunos descobriram uma nova forma de participar das questões socioambientais. Primeiro, apuraram como o lixo serve à geração de renda para as pessoas da região. Em entrevistas com catadores que recolhem o lixo do ferro velho, os jovens ficaram surpresos com o valor obtido pela venda dos materiais da coleta seletiva e o quanto estes servem ao sustento das famílias. Em outro momento, parte dos alunos participa do monitoramento da água do riacho Doce, córrego que corta a favela São Remo e que possui nascentes dentro da Universidade de São Paulo – USP. O conhecimento adquirido nesse caso foi imensurável: os jovens perceberam as causas da degradação, compararam diferentes situações de conservação e ouviram depoimentos dos moradores. “Na favela, escutamos a pessoa jogando o balde na privada e vemos os detritos saindo do outro lado, no rio. Num dos relatos, uma moradora contou que jogou o fogão velho pela janela para ser levado pela enchente... e há ainda as doenças causadas pela água, gente com conjuntivite, verme nas crianças e até cegueira. Também aproveitamos para mostrar o quanto o rio começa limpo, a três quilômetros daqui. Ficamos cada vez mais admirados com a sensibilidade e o sentimento de indignação dos alunos. Já foram até à porta de uma das fábricas poluidoras e começaram a gritar para pararem de jogar tinta no rio”, conta a estudante de pedagogia Sofia de Mesquita Sampaio, responsável pelas oficinas educativas na escola e líder do grupo de monitoramento. Segundo ela, o compromisso com o monitoramento do rio é maior por parte dos alunos que freqüentam as oficinas e moram no bairro do entorno. “O contato com seu bairro aumenta a sensação de pertencimento e o sentimento de que fazem parte do ambiente, quebrando a separação entre a comunidade e a escola, que também é aberta nos finais de semana para o lazer”, coloca Sofia. Por esse motivo, a estudante de pedagogia sentiu necessidade de estabelecer uma prática específica para os adultos da comunidade, visando a proteção de seu ambiente comum. Ela já havia verificado a falta de referências ambientais numa das últimas monitorias do rio, quando vivenciou uma ‘saia justa’ com a população local. Depois de comentar sobre a péssima qualidade da água, ouviu de um dos moradores que ali ainda existiam bananeiras e que ela devia provar uma das bananas colhidas na margem do riacho. “Se dissesse ‘não’ seria uma ofensa e, de outro lado, se comesse a banana ia desmoralizar meu argumento sobre a poluição. Aceitei por educação mas, junto com o grupo que ministra as oficinas da EMEF e outros colegas da USP, elaboramos um projeto de revitalização das margens da várzea do Riacho Doce”, revela a estudante. Devido ao nível de contaminação do leito do rio e das ameaças para a realização de um trabalho interno na favela, porém, o grupo precisou buscar outra forma de parceria. Por meio do Centro de Educação Ambiental Previdência, eles conheceram o tenente-coronel do 16º Batalhão da PM, Wanderley Medeiros, e souberam que ele estava disposto a ceder um terreno de cerca de 7 mil metros quadrados para investimentos em projetos socioambientais que envolvam a comunidade da São Remo. “O coronel quer ‘derrubar’ o muro que separa a favela do batalhão da polícia e pretende apoiar ações de inclusão social dos moradores da São Remo. Ele entende que segurança tem a ver com qualidade de vida”, enfatiza Sofia. Desse diálogo, nasceu a idéia de parceria para oficinas com policiais e membros da comunidade, unido a um trabalho de revitalização do terreno vizinho. Nele, propõe-se a construção de um viveiro de mudas e a capacitação de jardineiros para geração de renda na favela além de uma possível horta comunitária. Com experiência no contato com o público desde a época em que atuava no atendimento a escolas no Parque do Ibirapuera, Sofia vem assumindo a coordenação do projeto entre policiais e favelados. As discussões serão estimuladas por dinâmicas de teatro, improvisação, jogos e expressão corporal, aliados à temas ambientais. “É importante promover o retorno à natureza, com o plantio, o cuidado com as espécies e a observação dos ciclos de crescimento. Muitos vieram do campo e tem essa memória ligada à terra. Também notamos isso na escola, quando as crianças vão mexer na horta, sabem pegar na enxada, regar as plantas e costumam lembrar de histórias da roça...”, revela a estudante que morou toda a infância num sítio em Botucatu (SP). Sua proposta foi recentemente apresentada ao Fundo para Pequenos Projetos do Núcleo Pró-Tietê, como um desdobramento do programa de monitoramento da qualidade do rio. Ainda assim, ela continua atuando como voluntária nas oficinas de educação ambiental para os alunos de 5ª à 8ª séries da EMEF Amorim Lima. O interesse pela conservação do bairro aproximou os jovens do eixo escolhido pelos professores da quinta série para os trabalhos do 1º semestre de 2005: o tema ‘memória’. Nas oficinas de educação ambiental, os alunos já começaram a montar a pauta das entrevistas que farão com os moradores do entorno para resgatar os elementos da paisagem da micro-bacia do Jaguaré, remontando o cenário passado como forma de entender o presente. “Por isso digo que sou cada vez mais bairrista, quer dizer, acredito que precisamos atuar no bairro onde estamos inseridos para colhermos resultados”, completa.

Período de Análises:

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