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RECICLAÇÃO / GOL DE LETRA

Bacia
Pinheiros-Pirapora
Cidade
São Paulo/SP
Corpo d´Água Monitorado
Tremembé
Ponto Monitorado
Av. Maria Amália Lopes de Azevedo, frente 1530 -23.457834983577,-46.614675906343
Tipo
ONG Ambientalista
Faixa Etária
Jovens

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Sobre o Grupo

Reciclagem abre caminho para monitoramento da água Cooperativa na região do Tremembé realiza trabalho de inclusão social há cinco anos e se prepara agora para agir em prol da preservação dos recursos hídricos da sub-bacia da Cantareira Sobre a rua de terra batida, Sônia espera o velho caminhão para apanhar os sacos que recolheu das casas próximas ao campo de futebol da Vila Albertina, no Tremembé, zona norte de São Paulo. As crianças vasculham com os olhos os objetos de plástico, papel, vidro, tetrapack. Uma moradora grita do fundo de uma viela: “Espera! Tem mais um aqui”, correndo com uma sacola. Sônia conta que há cinco anos, quando aceitou o convite da professora Erns Eva Silva para iniciar aquele trabalho e fugir do desemprego, não havia esse tipo de colaboração das pessoas. “Eu e a Eva saíamos separando o lixo e botando no caminhão, enquanto o povo chamava a gente de lixeira. Aquilo era desagradável.” O incômodo aos poucos deu lugar para a curiosidade e para o aprendizado. Os moradores da Vila Albertina em breve descobriram que o lixo recolhido pelas duas seria transformado em embalagens e produtos novos. E que o dinheiro que ganhavam com aquilo tinha destino certo: comprar dicionários para um projeto de educação que Eva desenvolvia na penitenciária feminina, próxima ao extinto Carandiru, a convite da Associação de Amigos do Tremembé. A iniciativa deu certo e mostrou que o projeto poderia se transformar em uma cooperativa – a Reciclação – gerando renda, benefício ambiental e trabalho para a comunidade. “Isso aí é lixo ou é reciclável?” A pergunta que interrompe a história da Sônia é feita por um morador a um senhor que mexia num saco. “Não, é só lixo”, responde o outro. A consciência sobre o meio ambiente também foi algo que mudou bastante naquela comunidade. “A gente foi divulgando o trabalho e fazendo eventos de educação ambiental. Daí o povo se acostumou com a idéia”, explica Sônia sobre a mudança. “O bom são as crianças: você explica e elas ajudam.” Outra evidência do potencial do trabalho é a própria formação da equipe. As oito pessoas que hoje recolhem, separam e até beneficiam cerca de 20 toneladas do lixo de mil moradias e 14 prédios do Tremembé têm histórias de vida peculiares, para as quais o engajamento na Reciclação foi um marco. Da moça que tem seis filhos e não queria saber de trabalho, vivendo da ajuda de familiares e amigos, ao ex-morador de rua que conseguiu controlar o alcoolismo com a perspectiva dada pelo grupo. Quando perguntada sobre o que faz cada um, Sônia é direta: “Nós somos cooperados ... fazemos de tudo.” Dia-a-dia Wilson conduz o velho caminhão ladeira acima, rumo à sede da cooperativa. A paisagem à volta revela pedaços de morros ainda cobertos por Mata Atlântica, e outros ocupados por casas simples de alvenaria, ora revelando uma típica paisagem de periferia, ora lembrando uma cena do meio rural paulista. Os sacos recolhidos são levados ao interior do galpão onde diversos outros sacos aguardam o trabalho de seleção. Em uma das extremidades do lugar vê-se placas de papelão empilhadas e prensadas. Noutro lado, grandes colunas de jornais que já estão separados. Numa sala ao lado, tanques, varais e telas formam a estrutura para a produção de papel reciclado. “É um joguinho! Vamos pôr no bazar.” A professora Eva, que acaba de entrar, alerta uma das crianças que brinca com um mini-xadrez. Os filhos dos integrantes da cooperativa já sabem que os objetos em bom estado são vendidos no bazar, uma sala na lateral da cooperativa, para reforçar a renda. Eva conta que a idéia é expandir o trabalho da cooperativa e atender toda a Vila Albertina, ou seja, cinco mil moradias. “Para isso, precisamos de pelo menos mais um caminhão e mais dez pessoas. Esse trabalho é muito puxado, às vezes tem de ser feito de baixo de chuva ...”, explica. Mas para isso existem impasses a se resolver. “A troca de gestão na prefeitura está uma bagunça. As cooperativas não foram chamadas para o diálogo na questão do lixo. A Limpurb (órgão municipal que cuida da limpeza urbana) quer receber o reconhecimento pelo trabalho de reciclagem sem dar crédito para os grupos que participam”, conta Eva. Como se não bastasse, a permanência da cooperativa no atual endereço depende de uma decisão da subprefeitura do Tremembé, já que o galpão onde funciona a Reciclação pertence ao Centro Desportivo Municipal. Mas Eva está confiante na continuidade do trabalho, que nos últimos anos teve grande impulso com a integração de cooperativas promovidas pelo projeto Coleta Seletiva Solidária. Recentemente, porém, a Reciclaçao se desligou do projeto por considerar que questões políticas estavam se sobrepondo ao seu propósito. Multiplicação e monitoramento Eva conta que o grupo não se intimida. “Estamos tentando uma parceria com outra cooperativa para vendermos juntos nosso produto e eliminarmos os atravessadores.” Segundo Eva, isso aumentaria o rendimento mensal de cada cooperado, que gira em torno de R$ 300. Além disso, continua o trabalho de educação ambiental e multiplicação da iniciativa. “Estamos até dando assessoria para um padre que está montando uma cooperativa similar no Parque Edu Chaves”, explica Eva. “Vamos até levar o kit lá e usar o livro do Diagnóstico”, revela Eva sobre os planos de expandir a participação no Mãos à Obra pelo Tietê. O envolvimento da Reciclação no projeto aconteceu após uma passeata contra os impactos socioambientais do Rodoanel, em 2003, quando Eva conheceu Gustavo Veronesi, um dos monitores da SOS Mata Atlântica. Depois de dificuldades em manter a regularidade das medições da qualidade da água na região, que se insere na sub-bacia da Cantareira, a Reciclação pretende intensificar os trabalhos de monitoramento. Atualmente, quem faz o trabalho de campo são Eva e Lia, uma das cooperadas. “Tinha feito a oficina de monitoramento com o Gustavo e fiquei ansiosíssima para fazer as medições”, lembra Lia. Ela conta que o córrego escolhido para o trabalho passa junto ao cruzamento das ruas Maria Amália e Quirino Teixeira, local onde circulam muitos carros e pessoas, devido à existência de estabelecimentos comerciais. “A primeira vez que fui lá, em março, as pessoas já acharam estranho quando eu desci para baixo da ponte e saí com a caneca de água”, conta Lia achando graça. “Então, quando sentamos e começamos a anotar as medições, um pessoal começou a se amontoar no local e até os carros no farol paravam pra ver.” Eva e Lia esperam que essa curiosidade possa aos poucos se traduzir em consciência ambiental para a preservação das águas. “Se todo mundo que ficou curioso com o trabalho quiser ajudar, será muito mais fácil cuidar da água.”

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